O mentor do Bilardismo

Foto: El Gráfico

A regeneradora história vitoriosa do Estudiantes de la Plata começou em 1965, com a chegada de Osvaldo Zubeldía, treinador ainda iniciante no cargo (que estreou pelo Atlanta (ARG) enquanto ainda jogava no Banfield e revessou-se nas duas funções).

Chegando em La Plata, tinha como missão tentar salvar o clube do rebaixamento. Com poucos recursos financeiros, o treinador promoveu jogadores da forte base do clube na época, um grupo que havia ficado conhecido como “La Tercera Que Mata”, segundo relatos da publicação ‘El Gráfico’.

Dentre os jovens, o mais notável era o ponteiro de esquerda Juan Ramón Verón. O habilidoso jogador seria uma participação importantíssima nos anos seguintes e viraria ídolo histórico do clube, quando nem imaginava também ver seu filho décadas depois seguir os mesmos passos.

Outra estratégia de Zubeldía foi atrair jogadores menos conhecidos que se encaixassem no perfil desejado. Um deles foi Carlos Salvador Bilardo, que mais tarde se tornaria um dos grandes treinadores do futebol argentino. Zubeldía achava que a inteligência era o mais importante para uma equipe. Montou então um time taticamente compacto, em que todos os jogadores conheciam perfeitamente a função que deveriam desempenhar. Treinava incansavelmente jogadas de bola parada e aprimorava a transição entre os setores da equipe. Utilizava estratégias para esfriar o jogo quando necessário, o que para muitos era um jogo feio, chato de assistir, com muita catimba e antijogo. Para outros, era uma revolução no futebol argentino.

Em 65, o Estudiantes se livrou do rebaixamento, em 1966 brigou na parte de cima da tabela, e em 1967 chegou ao título de campeão argentino pelas mãos do treinador. Em 1968, na Libertadores, passou em primeiro lugar em um grupo que tinha o poderoso compatriota Independiente e os colombianos Milionarios e Deportivo Cali.

Na segunda fase daquela Libertadores enfrentou os peruanos do Universitario e novamente o Independiente, passando como único classificado. Nas semifinais o Estudiantes enfrentou o Racing, então atual campeão da Libertadores e Mundial. Na primeira partida, vitória do Racing em Avellaneda por 2 a 0. Na volta, em La Plata, o Pincha sacou um implacável 3 a 0, fazendo com que o 1 a 1 da partida desempate o levasse a uma histórica final de Libertadores.

O rival desta vez seria o Palmeiras, que havia eliminado o Peñarol nas semifinais. Em La Plata, o Palestra vencia por 1 a 0, com um gol de Servílio, mas nos minutos finais da partida Verón e Flores marcaram, conseguindo uma virada incrível para o Estudiantes. No jogo de volta no Pacaembu, o Verdão impôs um incontestável 3 a 1 sobre o Pincha, forçando uma partida definitiva em Montevidéu. Nesse terceiro jogo o Pincha se impôs claramente, no estilo Zulbedía de viver o futebol e venceu por 2 a 0, com gols de Ribaudo e Verón.

O Estudiantes foi campeão da América, a primeira de uma série de 3 conquistas seguidas de forma arrebatadora. Osvaldo Zubeldía provava a eficácia de seu método, desmoralizava seus críticos – inclusive da imprensa bairrista – e inaugurava uma nova corrente de pensamento futebolístico no futebol argentino. Corrente que chegaria ao topo do mundo em 1986, quando, seguindo a escola de Zubeldía, seu ex-pupilo Carlos Bilardo levaria a seleção argentina ao bimundial.

Para Bilardo, existe um futebol antes e depois de Zubeldía, este que carregava como lema que não se chega à glória por um caminho de rosas. O lendário treinador também teve passagens por San Lorenzo e Atlético Nacional. O lendário DT faleceu em 1982, aos 54 anos.

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