Um dos grandes nomes do futebol sul-americano é argentino, mas fez sua carreira como renomado treinador no México. Com bases ‘menottistas’ e essência ‘pastoriza’, Ricardo La Volpe deixou como um de seus legados o «salir de novios”, que Pep Guardiola empregou na sua carreira também. Isso nada mais é do que a forma como o ataque é iniciado lá atrás, entre os goleiros e os zagueiros.
La Volpe se aposentou em 2020. No entanto, com uma trajetória que revolucionou especialmente o futebol mexicano, inspirou famosos técnicos da atualidade como o próprio Guardiola, Jorge Almirón, Miguel Herrera, Hernán Crespo, Gabriel Heinze e Lucas Pusineri. Tem coisa que ele fazia na Liga MX nos anos 90 que vimos na década seguinte pelo futebol europeu.
Das marcas mais chamativas de La Volpe ao futebol moderno foi a criação da saída “Lavolpiana”. ‘El bigodón’ chamou a atenção do mundo com essa estratégia em 2006, comandando a seleção mexicana na Copa realizada na Alemanha. Construindo uma maneira de sair da defesa com dois zagueiros bem abertos e Rafa Márquez centralizado iniciando a construção do jogo, o México jogou como nunca, mas perdeu como sempre ao cair novamente nas oitavas de final.

Mas com a saída, a intenção é ter um jogador de passe qualificado para fazer a equipe jogar desde a defesa e se instalar no campo adversário através de trocas de passes, aliada com velocidade e conquista de território. Normalmente com os laterais adiantados e abrindo o campo, os meios-campistas voltam para auxiliar na articulação e os atacantes atuam mais próximos para se movimentar e abrir espaços para o jogo ofensivo.
La Volpe entrava em campo com o clássico 4-3-3, que se tornava 4-1-4-1 quando estava sem a bola. Esse método foi visto por Jorge Almirón no Atlas, quando ainda jogava e foi treinado pelo compatriota. O técnico que atualmente está no futebol árabe aplica o estilo Lavolpista desde seu início de trabalho como no Independiente (ARG) e no Lanús (ARG), onde foi vice-campeão da Libertadores em 2017.
No ano seguinte, Almirón foi pra o Atlético Nacional (COL), quando graças aos seus conceitos de jogo que ganhou com La Volpe, deu oportunidade a Jorman Campuzano, que vinha da segunda divisão e se tornou um dos volantes mais técnicos da nova geração colombiana com a camisa verdolaga.
Portanto, as característica de La Volpe são vistas além das saídas e investidas nos ataques velozes. São estratégias de jogo que evoluem ao longo do tempo dando origem a outras, fazendo com que as atuações das equipes sejam cada vez mais fluídas. A inovação de La Volpe no futebol foi a lógica, ao simples e didático. Foi a primeira vez que a saída se tornou coletiva, quase matemática: Sempre três contra dois.
Talvez o legado do treinador de alma azteca – além da revolução tática; seja a integração de algo que começou no futebol mexicano pelas mãos de um argentino e que é aprimorada hoje em dia pelos atuais técnicos. Isso mostra a real globalização do futebol provando que das raízes futebolísticas ainda sairá grandes novidades que começam no nosso continente e chega ao outro tempos depois, com o velho continente levando o mérito.