
Único treinador tetracampeão da Libertadores, sendo três títulos com o Boca Juniors e um comandando o Vélez, Carlos Bianchi é um dos técnicos mais emblemáticos do futebol. Sua consagrada carreira é recheada de títulos, mística e estratégias de vitórias. Mostrando as características que o colocariam como um dos maiores treinadores argentinos de todos os tempos, foi com o Vélez que Bianchi montou um time extremamente organizado taticamente e capaz de ter diferentes estilos.
Na sua mão o time jogava tanto tecnicamente quanto com a raça resultante em sangue, suor e lágrimas. Dessa forma, conseguiu avançar no Grupo 2, que continha Cruzeiro, Palmeiras e Boca Juniors, e seguir até a conquista do título da Copa Libertadores da América no ano de 1994. Como ele mesmo conta, deu a volta olímpica no Morumbi sozinho.
Durante aquele ano, o Vélez bateu grandes equipes como um Cruzeiro que tinha nomes como Dida e Ronaldo; o Junior de Barranquilla de Carlos Valderrama; o grande São Paulo de Telê Santana e um excepcional Milan; no torneio Intercontinental no final do ano. Com uma equipe que contava com a experiência de jogadores como José Luis Chilavert e José Basualdo com a juventude de Turu Flores e Christian Bassedas, o clube argentino conquistou seu único título da América, com bom futebol e uma pitada de sorte em disputas de pênaltis.
Defendendo o gol do time argentino, estava um dos melhores goleiros da década de 90, o polêmico paraguaio Chilavert. Em todos os aspectos o arqueiro era incomum. Robusto, desbocado, cobrador de faltas e pênaltis (foi durante muitos anos o goleiro com maior número de gols da história, ultrapassado recentemente por Rogério Ceni), era chamado de Buldogue e em alguma parte de sua carreira inclusive estampou o cão em suas camisas.
Embora seja lembrado por algumas confusões, que envolvem brigas com Faustino Asprilla e Diego Armando Maradona, Chilavert era um goleiro extremamente seguro e capaz das mais impensáveis defesas. Além disso, sempre se mostrou um líder. No Vélez foi ídolo, defendendo a equipe entre 1991 e 2001 e marcando 48 gols.
As laterais da equipe eram compostas por Flávio Zandoná e Raul Cardozo, ambos mais conhecidos pela capacidade de marcação do que propriamente pelo apoio ao ataque. O primeiro, que atuava pela direita, é lembrado pelo público brasileiro por ter agredido o então flamenguista Edmundo, no ano de 1995.
Zandoná não era titular absoluto e disputava a posição com Héctor Almandoz, cujas características eram semelhantes, sendo ambos marcados pela raça e uma certa catimba. Cardozo, por outro lado, jogador que atuou entre 1986 e 1999 no Vélez, possuía mais recursos técnicos, mas também tinha como ponto mais forte sua qualidade defensiva.
Roberto Trotta, capitão do time; e Víctor Hugo Sotomayor formavam o esquadrão da equipe. Altos para a época e fortes fisicamente, eram suscetíveis ao recebimento de muitos cartões, mas intimidavam como poucos os atacantes rivais. Durante sua carreira, Trotta ficou famoso pelo recorde de 17 cartões vermelhos no Campeonato Argentino, mas também é lembrado por sua liderança e por inaugurar o marcador no Intercontinental, contra o Milan.
Como um primeiro volante, logo à frente da defesa, o Vélez contou com a proteção de Marcelo El Negro Gómez, revelado no próprio clube e que representou cores de El Fortín durante sete anos. Outro jogador de forte poder de marcação, aos 24 anos, tinha muita vitalidade e poder de marcação, mas cometia muitas faltas.
Em uma segunda linha de meio-campistas, ajudando tanto o setor defensivo quanto o ofensivo, José Basualdo (foto) era o jogador mais técnico da equipe. Experiente, o jogador já havia ultrapassado a casa dos 30 anos, disputado torneios com a Seleção Argentina e atuado no exterior (onde representou o Stuttgart) quando ajudou o Vélez a conquistar a Libertadores.
Sua capacidade de ligar defesa e ataque, com um bom passe e visão de jogo o tornavam a grande referência do meio argentino. Antes do término da Copa Libertadores, Basualdo foi à Copa do Mundo dos Estados Unidos. Auxiliando-o, havia a presença de Christian Bassedas, à época um jovem de 21 anos. Talentoso com a bola no pé, dono de bom passe e muita noção tática, podia atuar em qualquer posição do meio-campo e até mesmo como líbero. Cria da casa, atuou 10 anos no Vélez e depois seguiu para o Newcastle United, tendo atuando, ainda, pela Albiceleste.
Como a figura mais avançada de um meio-campo raçudo e pegador, o Vélez tinha Roberto “Tito” Pompei, outro jogador revelado nas categorias de base do próprio time. É lembrado por sua função como enganche e por ter convertido o último pênalti do título da Copa Libertadores, contra o São Paulo, em pleno Morumbi. Como era muito bem protegido por seus companheiros de meio-campo, Pompei tinha liberdade para se deslocar por toda a faixa ofensiva do meio-campo, auxiliando os atacantes e complicando a vida das defesas adversárias.
O ataque da equipe do bairro de Liniers era formado por uma dupla jovem, formada por José Óscar “Turu” Flores (foto) e Omar “El Turco” Asad. Outros dois pratas da casa, os atacantes formavam uma dupla muito completa e eficiente. Flores é lembrado por sua habilidade e por um movimento característico (uma espécie de “quebra” da cintura) com as pernas que desmontava marcações inteiras e desestabilizava rivais. Em 181 jogos pelo clube, marcou 56 vezes. Posteriormente, mudou-se para o futebol espanhol, onde defendeu Las Palmas, Deportivo La Coruña, Real Valladolid, Mallorca e Murcia.
Contudo, esse time tomou forma pelas mãos de Carlos Bianchi. O comandante era apenas um promissor treinador quando chegou, que ainda não possuía grandes glórias. Com um estilo de garra, técnica e catimba, que consagrou sua carreira, o Virrey fez seu primeiro grande trabalho, aumentando ainda mais a idolatria que o clube já possuía em si. Além dele, o banco de reservas contava com jogadores úteis como o zagueiro Maurício Pellegrino, que mais tarde faria história com a camisa do Valencia, e os meio-campistas Claudio Husain e Patricio Camps.
E assim, o glorioso Vélez marcou época em 1994 e inspirou uma geração argentina a seguir vencedora quando olhava para aquela equipe bianchista!