
O anúncio da despedida de Marcelo Gallardo um dia iria chegar. E o River Plate sabia que escolher de um substituto del Muñeco não seria nada fácil. Com um legado irreparável no clube dobrando o número de Libertadores dos millonarios, conquistou uma vitória para a eternidade em Madrid diante do maior rival.
Qualquer opção que viesse não teria o peso de Gallardo. Mas a identificação com o River era no mínimo necessária. Foi assim a escolha por Martín Demichelis. O ex-zagueiro iniciou sua carreira no River Plate na canteira do clube em 1997, quando ainda tinha 16 anos. O jovem compôs uma das gerações de promessas mais badaladas da história do Monumental e conquistou por duas vezes o Campeonato Argentino.
Martín atraiu o interesse do Bayern de Munique e arrumou as malas para a Alemanha em 2003. Seria uma figura constante no clube, a ponto de completar sete temporadas na Baviera. Ainda teria momentos dignos no final de carreira, sobretudo ao acompanhar Manuel Pellegrini, seu mestre nos tempos de River. Brilhou no Málaga e depois disputou três temporadas com o Manchester City, antes de passar pelo Espanyol. Foi titular da Argentina na Copa de 2010 e na reta final da Copa de 2014.
Entre 2016&17, Demichelis retornou ao Málaga para pendurar as chuteiras e iniciar sua história como assistente técnico. Mas seu grande impulso na nova profissão veio do próprio Bayern em 2019. O argentino assumiu as categorias de base do clube alemão onde permaneceu por três anos. Foram 35 vitórias em 58 jogos, com um aproveitamento de 67% dos pontos.
Com a chegada de Demichelis, o River Plate aponta seu intuito de aproveitar as categorias de base e começar um novo ciclo depois da gloriosa «Era Gallardo». Ao mesmo tempo que o River tenta encontrar um novo caminho, ainda precisará encontrar o perfil ideal de Demichelis que vem carregado pela escola alemã de futebol. Gallardo tinha um estilo de jogo mais agressivo, que inclusive se adaptou conforme os diferentes momentos de sua gestão no time millonario.
O novo DT precisa ter esse compromisso com o estilo de jogo do River e sempre de olho em sua base, como geralmente reza a cartilha de Núñez. A pressão de ser sucessor de Gallardo é enorme, ainda mais para Martín que chega como um novato na profissão. Mas apesar da pouca experiência, o River Plate ofereceu garantias relativamente longas a Demichelis para fazer seu trabalho.
O novo treinador assinou seu contrato até dezembro de 2025, com três anos de duração. Segundo o La Nación (ARG), o novo treinador era o nome de maior consenso entre os dirigentes do clube e recebia a benção de Enzo Francescoli, ídolo e homem forte nas decisões do River. Seu perfil é o que mais se casa com o que o River desejava, se asemelhando com Pablo Aimar – que também era cotado para o cargo.
Demi, especialmente pela gestão de elenco e pela liderança expressa desde os tempos de jogador, está no caminho certo. E junto com o River vai traçar um novo destino em 2023, ao lado de seus auxiliares Pinola e Germán Lux, formados na renomada escola Vicente López.
Gosto muito dele
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