Heinze tem alma do Newell’s, mas continua excêntrico

O começo da ‘Era Heinze’ (Foto: NOB)

Em busca de um treinador com estilo mais característico de Marcelo Bielsa, o Newell’s Old Boys conseguiu colocar em seu comando Gabriel Heinze. O técnico de 44 anos é o que mais se diferencia no atual mercado argentino dos nomes que estavam à disposição e pode cair como uma luva no clube rosarino, no cenário otimista.

Perfeccionista, metódico e de temperamento explosivo, Heinze tem uma metodologia única de trabalho e não permite interferências nas suas ideias. Ele gosta de ter o controle dos ambientes em que está inserido e valoriza o jogo ofensivo e de intensidade nos times que treina. Muito por isso não deu certo na MLS em sua temporada com o Atlanta United.

No entanto, seus trabalhos no Argentinos Juniors e no Vélez (esse o mais consistente), deram respaldo para Heinze mostrar que é um dos treinadores mais promissores da atualidade. Foi no Vélez, time de DNA bianchista, que Gabriel Heinze conseguiu apresentar seu lado mais bielsista. Para alguns críticos ele é rude e obsessivo. Outros preferem aplaudir sua personalidade forte.

Seu jeito excêntrico de ser se reflete no estilo de jogo que gosta. Não tem medo de ousar e arriscar. Dentro as 4 linhas comanda o time se adaptando ao adversário e preza pela ofensividade acima de tudo. Fora do banco, nos bastidores, tem atitudes engraçadas como uma vez em que desceu do ônibus do time e foi de táxi ao hotel quando viu o dirigente que ele não gostava dentro do veículo da equipe depois de jogar pelo Campeonato Argentino.

Outra de suas manias é limitar celulares e videogames nas concentrações, vigiar o peso dos jogadores de maneira obsessiva e implicar com quem usava chuteira desamarrada no vestiário. No Vélez, Heinze fez coisas que Bielsa aprovaria. Ele praticamente dormiu no CT, seguiu de perto as categorias de base e comprou briga até pelos colchões que eram usados por meninos da cantera exigindo melhores condições nas instalções do clube.

Trabalhar com Heinze exigie paciência, uma disciplina impecável e jogo de cintura. O Newell’s conhece seus caprichos e apostou no projeto do treinador. Para a próxima temporada está garantida um diário de boas histórias para contar no dia a dia do clube. No reduto que tem Bielsa como ídolo, agora conta com um verdadeiro discípulo dele estará à beira do gramado. A nova «Era Heinze» ainda não tem garantias de um final feliz. O caminho, ao menos, está sendo traçado.

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