
Após 36 anos a Seleção Argentina conquistou o sonhado tricampeonato mundial ao derrotar a França nos pênaltis após uma final épica. O título é a consagração de 26 futebolistas que ficarão na história. Mas também foi a coroação da comissão técnica de Pablo Aimar, Walter Samuel e Roberto Ayala junto a Lionel Scaloni como maestro.
O técnico da ‘Scaloneta’ conquistou um feito que outros consagrados treinadores argentinos como Jose Pékerman, Marcelo Bielsa, Alejandro Sabella não conseguiram. Scaloni inclusive conseguiu uma dobradinha que César Luis Menotti nem Carlos Salvador Bilardo haviam alcançado antes: Sagrou-se campeão da Copa América e da Copa do Mundo.
Depois do título em um Mundial com inúmeras estratégias e jogando todos os jogos com a própria vida desde a derrota para a Arábia Saudita na estreia, onde entrará o legado de Scaloni no famoso duelo entre Menottistas e Bilardista? O estilo dos dois treinadores campeões em 78 e 86 doutrinaram gerações na Argentina.
Agora o sucesso de Scaloni queimou todos os livros de futebol. Um treinador sem nenhuma experiência anterior, se tornou o mais bem sucedido de todos em um Mundial onde gigantes escolas futebolísticas foram caindo. Ele superou duras críticas, algumas inclusive humilhantes por parte de imprensa e colegas de profissão experientes. Mas desde sua chegada no comando foi bancado por Menotti.
Scaloni junto de seus auxiliares com visões amplas montou um grupo vencedor que passará a doutrinar a atual geração, que muito por conta da idade não se identificam tanto com Bilardo e Menotti para serem seus mentores. Scaloni ganhou a confiança do xará Lionel Messi e de seus comandados, algo muito semelhante ao que Bilardo fez com o grupo de Maradona em 86. Isso foi decisivo para começar a construir uma trajetória cheia de glórias em pouco tempo.
O desafio de profe Lionel dentro das quatro linhas é impulsionar seu estilo de jogo, que se adaptou a cada momento que a Argentina encarou as batalhas desde seu primeiro jogo como treinador. No atual campeão do mundo vemos a integração dos dois modelos de jogo, com um toque da raça e da modernidade do futebol fazendo parte da construção de suas ideias. Ser um exemplo como Menotti e Bilardo, que ainda doutrinam técnicos formados em escolas como a Vicente López, vai ser o fator chave para o Scalonismo virar uma doutrina como seus antecessores campeones se tornaram.
O futebol argentino, sempre dividido entre Bilardistas e Menottistas dentro e fora de campo – sendo que uma das escolhas acabam se refletindo em gostos políticos, musicais, literários e até definindo nossas personalidades – agora ganha a terceira vertente. Como será o Scalonismo? Até o momento se mostra diferente, mais intenso e plural nos âmbitos esportivos.
Ao menos tende a ter uma personalidade mais emotiva, simpática e agradável que os Menottistas & Bilardistas fora dos gramados. Se os demais técnicos vão lhe seguir como um exemplo de jogo veremos nos próximos quatro anos. Já fora de campo, especialmente para a geração TikToker que não segue a doutrina dos campeões de 78 e 86, encontram dessa vez um comandante que os guiarão na Scaloneta, quebrando regras e lógicas desenhadas por moralistas chatos. Peguem seus fernet’s e sigam apostos na nova era do futebol porteño!


